Tradução da entrevista para o Music Connection

Acompanhe a tradução da entrevista dada por James Valentine e Adam Levine para a nova edição da revista Music Connection. Na matéria, a dupla conversa sobre o processo criativo do álbum Overexposed, e James também fala sobre seu projeto paralelo, JJAMZ.
Music Connection: Nos seus álbuns anteriores, a banda reuniu músicas e depois as gravou concentrados por algum tempo. Quão diferente foi a concepção e a gravação do Overexposed?
James Valentine: Esse álbum foi “em vez de sentar por meses conversando sobre o que queremos fazer, vamos simplesmente fazê-lo.” Nós começamos a ir ao estúdio antes mesmo de terminar a turnê do álbum anterior.MC: Como é imaginar um álbum inteiro dentro do contexto do que se tornou um mundo cada vez mais dirigido aos singles?
Adam Levine: É difícil explicar. Eu acho que a banda sempre se interessou em fazer bons álbuns e têm sido sobre qualidade. Nós não somos preocupados apenas em fazer um single; nós queremos que todas as músicas sejam ótimas. Nós não podemos ser muito profundos – são músicas pop – mas essas são as melhores canções que são certas para o álbum. Quando você pensa nisso, fazer um álbum é dar um tiro no escuro. Onde você se encontra criativamente é o que seu álbum irá refletir.MC: O Overexposed é produzido pelo prodígio sueco Max Martin, e evidencia uma faixa mais agradável do pop moderno. Já que o som do álbum é ultra-contemporâneo, vocês concordam que ele se encaixa nas playlists pop da rádio moderna?
Levine: Eu não presto atenção na rádio. É a pior coisa a se fazer, compôr para as rádios. Eu prefiro pensar como a rádio irá soar amanhã. Não estamos na indústria de lucrar com hits pop. Você precisa sentir algo quando escuta isso – Eu não estou interessado em bobagem.MC: James, a participação de Adam em “Stereo Hearts” do Gym Class Heroes, e o single subsequente da banda com Christina Aguilera, “Moves Like Jagger”, influenciou na decisão da banda de trabalhar com compositores de fora?
Valentine: Sim. Essa sessão me fez pensar na idéia de que nós não precisamos passar um ano inteiro fazendo um álbum em um lugar com um cara, então nós decidimos reunir canções. Nós acampamos no Conway Recording, em Los Angeles e tinham caras diferentes entrando e saindo. Nós estávamos com eles por um bom tempo, embora haviam algumas trocas de músicas por email.MC: Adam, como a química colaborativa com esse grupo de compositores e como o processo evoluiu?
Levine: A nível de composição, é o nosso álbum mais forte, por que tivemos tantos compositores nos ajudando. Eu queria pegar o que nós fazemos e aplicar isso ao que eles fazem. Eu não acho que alguma vez existiu uma experiência assim para algum dos grupos. Foi uma sensação nova, atual, e diferente. Eu acho que isso resultou em músicas legais. Estou muito feliz com o disco.MC: Adam, qual é a sua força como compositor?
Levine: Eu não sou o tipo de cara que escreve grandes smashes,mas eu tenho meus momentos com melodias. Eu acho que meu ponto forte como compositor é a letra. Elas são super importantes para mim – cada palavra que é dita e como ela é dita.MC: Como suas composições evoluiram?
Levine: Eu estou aprendendo a compôr agora. Eu nunca soube o que estava fazendo. Todas as minhas músicas foram erros. Eu escrevia com a banda ou com o Sam Farrar (Phantom Planet). De repente eu era compositor por que o álbum fez sucesso, mas ser um compositor de sucesso nunca fez parte dos meus planos. Eu estou aprendendo os truques do ofício agora.MC: Tipo?
Levine: Na minha leiga visão, uma boa música pop não é embasada em poesia – e sim em um fator viciante. Não há mistério e é uma declaração forte.MC: Você usa sua voz como instrumento quando compõe?
Levine: Eu acho que é assim que eu componho melodias, cantando a melodia de formas diferentes. Entonação e inflexão são tudo partes de poder vender uma melodia ou uma letra – é uma ferramente que eu utilizo. Vender a música é uma grande parte disso. Meu colaborador Ammar Malik me fez um grande elogio. Ele disse, “Tudo que você canta soa como hit.” Não é verdade, mas é doce.MC: O The Voice é uma plataforma inegável para o Adam e, desde que o single “Payphone’ estreiou no programa com 493,000 downloads após a apresentação da banda, claramente também foi para o Maroon 5.
Valentine: A banda foi apresentada para um público completamente novo. O programa acabou fazendo mais para a banda em termos de exposição do que qualquer coisa que nós já fizemos. Tem sido incrível.Levine: Eu não tinha certeza se poderia prever isso. Nós fizemos o programa por várias razões, mas uma foi que ajudaria a banda – mas nós não sabíamos o quanto ajudaria a banda.
MC: Como Wiz Khalifa impulsionou o single “Payphone” com sua participação?
Valentine: [O compositor e produtor] Benny Blanco havia acabado de trabalhar com ele e pensou que ele seria perfeito para a faixa. Wiz chegou e arrebentou. Champanhe foi estourado após cada verso.Levine: Wiz é bacana pra caramba e eu adorei trabalhar com ele. Eu passei um tempo com ele. Mesmo que ele tenha muito sucesso, isso é apenas o começo para ele. Várias colaborações parecem forçadas ou obsoletas, ou é com alguém do momento, mas essa é realmente legal.
MC: O que o Max Martin trouxe para o projeto como produtor executivo do Overexposed?
Valentine: Quando você trabalha com tantos tipos diferentes de pessoas é legal ter alguém na direção para ter certeza de que tudo vai funcionar de uma forma coerente. Max foi ótimo nisso. Seus instintos são ótimos. Ele ouve uma música e instantâneamente tem alguns toques que podem fazer uma grande diferença.
Levine: Max é um mestre em tantos aspectos da produção de músicas, e um dos poucos caras que eu já trabalhei que não tem ego. Mutt Lange era a mesma coisa – a melhor idéia vencia. Ele não trabalhava sobre créditos; ele trabalhava em fazer a coisa certa com a música. Os outros compositores o respeitam e ele tem uma origem realmente humilde.
MC: Os produtores e compositores Shellback, Benny Blanco, Ryan Tedder, Ammar Malik e Robo-pop estão por todo o álbum como co-compositores. Qual é a química criativa com esses colaboradores?
Levine: Trabalhando com o Ryan, nós eramos como espiritos parentes no estúdio. Houve essa energia maluca, frenética, barulhenta. Escrevemos três ou quatro músicas em cinco dias não tivemos medo de ser prolíficos, o que é um método legal. Quando compus com o Amar nós fumamos no hookah e descansamos, e em três horas, tinhamos a música. Esse álbum foi ótimo porque todos os processos e todas as possibilidades criativas foram exploradas.MC: James, você recentemente foi um orador convidado no Instituto dos Músicos em Hollywood. Você estudou música formalmente alguma vez?
Valentine: Eu quis ir para Berkeley ou para o MI, mas eu estava preso em Nebraska. Apenas estar no ambiente para focar em carpintaria naquele momento da sua vida foi realmente útil. E trabalhar em algumas coisas que eu queria ao longo dos anos, simplesmente de um ponto de vista técnico, poderia ter sido mais rápido se eu tivesse esse tempo concentrado para sentar em uma das salas de ensaio com alguém como Jude Gold do Instituto dos Músicos me ajudando.MC: O que você disse aos alunos sobre cumprir a função de guitarrista na música pop?
Valentine: Não são realmente boas notícias para a guitarra na música pop moderna. Eu adoraria estar envolvido na próxima evolução do que a guitarra faz e a sua função na música. Eu estive experimentando com guitarras MIDI e controlando algumas respostas de frequências com o controlador acoplado na guitarra. Ele pode seguir diversas direções, mas não houveram muitas inovações e o som da música pop atualmente não tem a ver com a guitarra, o que é triste para os guitarristas, mas talvez seja um bom desafio descobrir como encaixá-la.MC: “One More Night”, do Overexposed, incorpora um grandioso riff de guitarra. Como o reggae se encaixou no panorama sônico do Maroon 5?
Valentine: Eu realmente gosto da faixa por que ela tem a vibe reggar justaposta com uma sonoridade comtemporânea para criar algo que parece novo para mim.
Levine: Eu escuto reggaes antigos de manhã. Isso imediatamente anima e muda tudo sobre o dia antes que ele comece. É o melhor remédio – é a Califórnia, é ensolarada, você está acordando e antes de tomar um banho, você está feliz.
MC: Adam, sua voz é um instrumento que pode cortar um mix denso, mas parece que ter um espaço ao redor é igualmente importante para manter a dinâmica do Maroon 5.
Levine: Eu sou tão metido a respeito de espaço; não é sobre quão produzida alguma coisa seja, é sobre o que acontece nas entrelinhas da produção. Minhas frases favoritas são “como são apenas três coisas?” Ou o oposto, “Vamos fazer 400 coisas e fazê-las soar como uma coisa só.” Quanto menos subdivisão você fizer na música, melhor, uma idéia massiva que pulsa com a mesma dinâmica.
MC: O que você usaria como exemplo disso?
Levine: Discos de hip-hop do fim dos anos 90 e também o Fugees. Entre os membros daquela banda eles fizeram os melhores álbuns daquela era, incluindo The Carnival (Wyclef Jean) e o The Miseducation of Lauryn Hill. Para mim esses são os discos mais cheios de alma daquele tempo. Eles foram produzidos mas soam contemporâneos hoje.MC: Você acredita que o Maroon 5 tenha essa mesma dimensão atemporal?
Levine: “She Will Be Loved” soa como se ela pudesse ter saido hoje. Nós sempre tivemos uma aproximação mais crua, e isso nunca envelhece.MC: Vocês dois foram muito gentis com seu tempo e energia para essa entrevista. Nós precisamos perguntar: Vocês curtem esse processo ou é uma tarefa?
Valentine: Às vezes. Olha, nós estamos tendo uma conversa adorável aqui, Eu estou sentado tomando meu café e é divertido. Eu esqueci o que fizemos semana passada quando houveram essas coletivas de imprensa que duram o dia todo onde você tem que ficar sentado na mesma sala e pessoas vem das 10:30 até às 20:30 perguntando as mesmas coisas diversas vezes. Não é a minha parte favorita do trabalho. Eu não estou reclamando, e eu sou grato que as pessoas queiram me ouvir falando sem parar sobre Adam e essas coisas. Mas fazer isso o dia inteiro pode ser muito cansativo.MC: James, nos conte sobre o JJAMZ, seu projeto paralelo com Jasel Boesel do Rilo Kiley and Bright Eyes, Alex Greenwald do Phantom Planet, Z Berg do The Like e Michael Runion. Por que vocês se apresentam em lugares modestos como o The Detroit Bar em Anaheim e Bootleg Theatre em Los Angeles? É alguma forma de um grande rockstar se reconectar com as pessoas?
Valentine: (Risadas) Você poderia colocar isso dessa forma. Basicamente esses caras e garota que eu toco são alguns dos meus melhores amigos. Nós estávamos conversando e nós invariavelmente acabávamos tocando. Quando estou na cidade eu adoraria estar tocando em outros lugares toda noite. É uma coisa totalmente diferente de se fazer por conta própria. Isso me conecta com o amor de ter feito isso em primeiro lugar – levantar em um lugar cheio de gente é o nosso jeito.
MC: Quando se fala sobre seus projetos solo, como o JJAMZ, que amplificadores você pode estar levando para os shows?
Valentine: Eu amo meu Fender Princeton de 1965, o Fender Deluxe Reverb e o meu Fender Vibrolux – é isso o que eu uso para tocar.
MC: Que guitarras você usa atualmente com o Maroon 5?
Valentine: Eu adoro as guitarras da Fano e tenho as usado bastante. Eu também adoro a minha guitarra Johan Gustafson e minhas Fenders. Nos últimos anos a Telecaster tem sido a guitarra principal – para as coisas rock funk. É perfeita porque ela segue a melodia e é agressiva com uma grande personalidade. A coisa mais óbvia para eu tocar seria a Stratocaster mas nunca funcionou comigo. A Tele soa mais única. Quando você toca até o braço ela soa quente e redonda. Ouça a forma que Bill Frisell a faz soar.MC: Você tem patrocínio?
Valentine: Eu meio que apóio os violões Martin que eu uso ao vivo, da série Performers. A questão é: Eu não me envolvi em acordos de patrocínio porque eu quero tocar o que eu quiser quando eu quiser. E se eu descobrir uma guitarra legal e eu quiser tocá-la e não puder por causa de obrigações de um contrato, isso vai parecer meio estúpido para mim. Eu posso comprar essas guitarras.MC: Existe uma cena de boates vibrante no lado leste de Los Angeles, onde o JJAMZ costuma tocar?
Valentine: Absolutamente. Eu moro em Los Feliz. Eu vivi em várias partes de Los Angeles, mas terminei de volta lá por causa dessa energia. O clube Satellite é ótimo; Eu estou ansioso para nossa residência lá, e o The Echo também apresenta coisas ótimas – criativamente muita coisa está acontecendo neste lado da cidade.MC: O Maroon 5 está planejando uma turnê grande pelos Estados Unidos?
Valentine: Devido ao comprometimento do Adam ao The Voice, nós estamos aguardando um pouco. Nós vamos para a Ásia e a América do Sul, mas vai levar um tempo antes de fazer uma grande turnê nos Estados Unidos, o que não vai acontecer até o inverno. Nós geralmente vamos no verão, mas a época não permite isso.MC: Você é maratonista, James. Isso é uma alternativa às festas épicas?
Valentine: Nós nos divertimos nos nossos 20 anos, mas se você quer continuar vivendo você precisa adotar um estilo de vida melhor. Infelizmente o cliché do estilo de vida do rockstar – nós vimos histórias o suficiente para saber onde isso vai dar.MC: O line-up atualda banda inclui o membro de longa-data Mickey Madden no baixo, Matt Flynn na bateria e PJ Morton nos teclados. Sua longevidade na banda é incomum na atual cena pop. A quê você atribui essa durabilidade, e como o Overexposed se adequa nessa expressão?
Levine: Se você vai fazer isso por muito tempo, é bom ter uma nova era, e se abrir a participações. Existem tantas versões que você pode atravessar. Veja as melhores banda do mundo; eles simplesmente acabaram antes que isso envelhecesse.MC: E o que vocês querem para o Overexposed? Dominação mundial?
Valentine: Esse é sempre o objetivo, lançá-lo e expô-lo para o maior número de pessoas possível. Com esse álbum houve um esforço coletivo para fazer algo que pudesse se conectar com diversas pessoas do mundo inteiro – ir além das cercas.